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O dia em que o Brasil foi ocupado

Ainda estou pensando em como foi espetacular as manifestações do ultimo dia 17. A imprensa perdeu perspectivas geniais de tudo isso. Muito mais importante que o congresso cercado, os 100 mil no Rio ou os 300 mil em São Paulo era o que acontecia no meio, o resto era borda.

A cidade ocupada é a verdadeira cidadania. Esse é o maior combate à criminalidade (falo dos bandidos da ruas e travestidos de políticos). Perceba comigo… a virada cultural em São Paulo reuniu milhares de pessoas e foi marcada pela onda de arrastões. Ontem havia milhares de pessoas com milhares de equipamentos eletrônicos caros nas mãos, expostos e não houve NADA. A cidade ocupada não deixa espaço para o crime.

O mais genial dessa ocupação é que foi fruto da revelação da verdadeira face do governo exposto na covardia de quinta-feira. Então o povo estava na rua para apoiar, para demonstrar que não aceitava mais - o inimigo foi revelado.

Os políticos deveriam sim estar sem dormir. Gritos de guerra contra o Alckmin eram mais que esperados, mas mesmo o Haddad pagando de bom moço conseguiu escapar (e olha que ele acabou de chegar). A Dilma, então, foi convidada a tomar algumas coisas em lugares, digamos, exóticos. O Lula, coitado, recebeu tantos adjetivos que ele mesmo deveria desconhecer a existência. E os gritos de guerra ecoavam por toda multidão.

Marina Silva pagando de santinha manifesta apoio em palestras, mas não está nas ruas. O que te faz pensar que escapa? Marina se orgulha por ter conseguido 500mil assinaturas em tempo recorde. Os mesmos 500 mil brasileiros se uniram num único dia ao redor do mundo e foram as ruas. O PT que até então ainda achava que o povo acreditava que o partido era esquerdista dizia que isso era articulação de partidos. Quanto a isso eu tenho 2 argumentos:

1. Se for, meu amigo, trema. Pq seja qual for o partido, acabou de demonstrar uma força que o tal “Lulinha paz e amor” não conseguiu nem nos sindicatos.

2. Um dos cartazes mais comuns (vi vários) dizia: “NENHUM partido nos representa”. E aqui fica a dica pro PSOL, PSTU e PCB.

Sim, a imagem foi maculada e não acredito na reversão do impacto político nas eleições de 2014. Os números nas ruas já seriam mais que suficientes para prejudicar qualquer eleição em qualquer instancia, mas eu vi muito mais que isso. Vi uma multidão nas ruas e vi também uma multidão fora. Por onde passávamos em SP havia gente nas janelas que atenderam ao chamado e agitava lençóis braços enquanto aplaudiam a manifestação - o que significa que os números perderam o controle.

Números fora de controle que não viram a saída do metrô. Vi milhares de trabalhadores simples indo para casa, exaustos do trabalho. Milhares. Dentro ou fora do metrô (antes da concentração) o discurso que se ouvia:
“Depois o governo acha ruim os protestos. Olha como é horrível o transporte publico”

"Nunca vi tanta gente. Tomara que a policia crie vergonha, porque eles tem que protestar mesmo com tanto político safado"

Sabe o que é mais legal? É que a Copa já começou e o Brasil já jogou, Neymar fez um gol e a seleção ganhou. E daí? Não fez diferença.

Na saída do Metrô (para rua ou para troca de estação) já havia pessoas segurando cartazes. Quando esses mesmos trabalhadores passavam, aplaudiam e os manifestantes iam ao êxtase.

Estou feliz pela ocupação, mas muito mais que isso: Porque estamos achando o NOSSO jeito de exigir. Digo isso, porque a felicidade brasileira sempre foi tachada como a causa do conformismo com tanta roubalheira. Porém, o que vi ontem foi o contrario. Foi o uso dela para descobrirmos o nosso jeito.

Eu vi o Batman, o Homem Aranha, o Patati Patata. Vi um concurso cultural de cartazes. Alguns que me marcaram:
- alguns que pareciam ter saído da quinta serie: “Haddad, nem tua mãe cobra R$ 3,20”

- “Vinagre é vida”

- “pelo bolsa vinagre”

- havia um homem que fazia cara de perdido e ficava rodando. Segurava um cartaz com os dizeres: “Essa é a fila para comprar o novo iPhone?”

A queima dos ônibus deu lugar a fotos e gritos de guerra em apoio aos motoristas e cobradores de ônibus, além da colagem de cartazes.

Vi um cara retirar da bolsa uma lata e correr para o ônibus pichar. Outro grupo ao correr para reprimir, descobriu que era tarde. Ele já havia pichado o ônibus, mas com spray de espuma - olha que genial.

Vi uma senhora de 82 anos segurando um cartaz e caminhando, mesmo com dificuldade. Ela disse que tinha que fazer a parte dela. Vi crianças de 4-7 anos segurando a mão do pai/mãe, pulando com o outro braço erguido e gritando: “o povo unido jamais será vencido”.

Não importa o rumo das manifestações. O impacto social disso tudo não tem mais volta. O povo que, antes era descreditado que os políticos faziam o que queriam e o povo deixava, se viu como POVO e exerceu cidadania. Se viu mais unido como uma copa jamais foi capaz. Então, senhores políticos, é bom arranjar o pão, porque o circo acabou.

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Publicado às 7:01 18 Junho 2013
  1. jaimeneto85 publicou esta postagem
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